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Madame Desabafa - Charisma em Português

salvador-dali2_03Lisboa, 5 Setembro, 2010
Campo de Ourique, sofá preto em frente à TV.

O livro que estou a ler - Life´s a PitchHow to Sell Yourself and Your Brilliant Ideas- tem sido realmente inspirador e muito prático.

Um dos capítulos deste livro, foi inspirador ao ponto de me dar vontade de escrever esta nota. “Nota” esta que pode virar coluna regular no meu site (opção mais económica), ou quem sabe até uma nova categoria, mas por enquanto dá trabalho pensar nisso e no que me pode custar esse update tecnológico, que parece tão simples, mas nunca custa menos de 200€ (por muito que eu considere sempre um “investimento”, right…) .

Como é Domingo, o marido foi para Ibiza, e eu estou a fazer horas até alguém passar à janela a “dar um oi”, decidi escrever tudo aquilo que me veio à cabeça neste fim-de-semana, ao ler este capitulo. E para variar , não é sobre promotores chatos, festas aborrecidas, Bailes inovadores ou Djs da tanga.
Isto é muito mais profundo e variado. E na variação é que está o ganho, já dizia o meu Pai.

No entanto há algumas “regras” que é necessário eu explicar, para vos mandar à cara, quando começar o típico esta agora tem a mania que também escreve…

1. Sim, tenho.
2. Mas é bom que percebam que não tenho qualquer tipo de pretensão ridícula de virar mais uma blogger (se um editor acabar por ler esta coluna e imaginar que poderá vir a dar um blockbuster em Hollywood, por favor não perder tempo e entrar imediatamente em contacto comigo)
3. Vou escrever sem ligar nenhuma ao novo acordo ortográfico, porque isso é para os bloggers a sério.
4. Em relação à gramática, vou tentar fazer o meu melhor, mas neste caso, a desculpa de que há ai coisas escritas bem piorzinhas que esta, vai ter de valer.
5. Muitas das frases vão ser escritas em inglês, e algumas delas não vão ser traduzidas, não me perguntem porquê.
6. Comentários muito parvos ou muito inteligentes são todos aceites e reproduzidos. Por favor evitem é aqueles que não adiantam nada, porque… não adianta nada. A não ser para quem o escreve, que fica com sentimento de que disse qualquer coisa. E no fundo o “Delete Comment” está bem ao meu alcance.

O capitulo do livro que gerou tudo isto tem como titulo “Charisma, or, the courage to be different” (Carisma, ou a coragem em ser diferente), em que o autor – Stephen Bayley – define o que é Carisma exemplificando de uma forma muito simples.

the magic power of charisma is rooted firmly in having the courage to be a bit different from all the rest.”
(…)
it is a way of being that radiates a particular sense of excitement and magnetism that occurs apparently regardless of what one says or does
(…)
people with charisma have a natural air of both authority and appeal that doesn´t need to be stated, yet is so powerful, it´s almost palpable
(…)
Charismatic people are also able to show great faith in others, and this willingness to trust others can be inspiring”.

Segundo Bayley, estas pessoas têm carisma: Che Guevara, Winston Churchill, Salvador Dali, Andy Warhol, Bill Clinton. E estas, por exemplo, não: Bill Gates, Prince Charles, Bush.

E porquê?

Acima de tudo, porque os primeiros fizeram alguma coisa de uma forma diferente.
Fácil: Che Guevara libertou toda uma geração contra a opressão, não apenas em Cuba, mas no resto do mundo. E fê-lo com meia dúzia de amigos, contra os EUA, um dos países mais poderosos do mundo.

Mas não se pense que para ter Carisma é preciso ser-se fisicamente bonito…

Winston Churchillque bebia mais champagne numa semana do que a maior parte de nós numa vida inteira” e que disse a famosa frase a uma colega sua que o chamou de bêbado – “Indeed, madam, and you´re ugly, but tomorrow I shall be sober” é outro caso de grande Carisma. E o senhor não era propriamente bonito…

No caso de Salvador Dali, o bigode pontiagudo, a obsessão por dinheiro e sexo, o discurso pseudo-filosófico que tinha, o arriscar, e fazer diferente, fez dele um dos pintores mais carismáticos do seu tempo. E de todos.

Estes são exemplos de pessoas, que não fizeram apenas diferente, mas que parecem francamente estar a divertir-se com eles mesmos. E isso define também o ser-se carismático. Estas pessoas comportavam-se como elas queriam, e não como a sociedade esperava delas. Pessoas com Carisma, seguem os seus instintos. E gozam, no verdadeiro sentido da palavra, em o fazer.

(A Dali e Warhol nada lhes dava mais prazer do que participarem nos seus próprios filmes, por muito absurdo que o papel fosse – e que era na maior parte das vezes).

Bill Clinton sempre pareceu estar a controlar a situação ao mesmo tempo que parecia estar mesmo a ter prazer no que estava a fazer. Por oposição a Bush que, segundo Bayley, nem é preciso dizer qual da família, porque eram e são, todos, sem excepção, uns chatos.

Prince Charles não tem Carisma nenhum e pode ser tão chato como uma conta do gás, ou um atraso na entrega do IRS, apesar de se ter casado com uma das mulheres mais bonitas de Inglaterra e ter conseguido manter uma amante ao mesmo tempo.

Bill Gates pode ser o homem mais rico do mundo, mas Bayley considera-o um “charisma-free zone”.

Se Carisma é (segundo Bayley, com quem estou 100% de acordo) : Acreditar na nossa maneira de ser diferente e avançar por caminhos menos convencionais, com talento, inspirando outros pelo caminho, não se levando demasiado a sério, e ainda, gozar em pleno da vida.

Então quem é que tem Charisma em Portugal?

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